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NR-1 e riscos psicossociais: o que sua empresa precisa avaliar e como começar

Foto do escritor: Sarah Castro
Sarah Castro
há 7 dias
7 min de leitura


A saúde mental no trabalho deixou de ser um tema restrito a campanhas internas, palestras ou ações pontuais de bem-estar. Com a atualização da NR-1, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a constar de forma expressa no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e reforçou que os riscos psicossociais devem ser considerados no processo de identificação de perigos, avaliação de riscos e definição de medidas de prevenção.

Na prática, isso exige das empresas um olhar mais estruturado para aspectos da organização do trabalho que podem contribuir para adoecimento, conflitos, sobrecarga ou sofrimento ocupacional.

Mas isso não significa transformar todos os funcionários em pacientes, aplicar testes psicológicos indiscriminadamente ou tratar qualquer insatisfação como diagnóstico.

O foco é outro: compreender quais características do trabalho podem representar risco e o que a organização pode fazer para preveni-las ou reduzi-las.


O que mudou na NR-1 em relação aos riscos psicossociais?

A NR-1 já estabelecia diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A mudança mais importante foi a inclusão expressa dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro desse processo.

Isso significa que riscos associados à forma como o trabalho é organizado também precisam ser identificados, avaliados e gerenciados, assim como ocorre com outros riscos ocupacionais. O Ministério do Trabalho e Emprego destaca que essa gestão deve ser realizada de forma articulada entre a NR-1 e a NR-17.

Em outras palavras, não basta olhar apenas para riscos físicos, químicos, biológicos ou de acidentes. A forma como as pessoas trabalham também pode produzir exposição a fatores de risco relevantes.


O que são fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho?

Os fatores de risco psicossociais dizem respeito a aspectos da organização, do conteúdo e das relações de trabalho que podem afetar a saúde e o funcionamento dos trabalhadores.

Entre os exemplos mencionados nos materiais oficiais estão excesso de demandas, falta de suporte e situações de assédio.

Na prática, alguns fatores que merecem atenção incluem:

Sobrecarga e excesso de demandas

Volumes de trabalho persistentemente elevados, metas incompatíveis com os recursos disponíveis, excesso de tarefas simultâneas ou jornadas que dificultam recuperação adequada podem representar fontes importantes de risco.

Falta de autonomia e controle sobre o trabalho

Quanto menor a possibilidade de organização da própria atividade, tomada de decisão ou participação em questões diretamente relacionadas ao trabalho, maior pode ser a exposição a situações de tensão e desgaste.

Conflitos, assédio e relações interpessoais

Conflitos recorrentes, comunicação hostil, assédio moral ou sexual, humilhações e relações de trabalho marcadas por insegurança também devem ser considerados.

Falta de clareza de papéis

Quando as responsabilidades são pouco definidas, contraditórias ou mudam constantemente sem comunicação adequada, o trabalhador pode vivenciar maior insegurança e dificuldade para organizar suas atividades.

Ritmo, pressão e organização do trabalho

Pressão por desempenho, demandas urgentes contínuas, ausência de pausas adequadas, mudanças frequentes e pouca previsibilidade também podem fazer parte da análise.

Esses fatores não devem ser compreendidos isoladamente. O ponto central é observar como aparecem no contexto real da organização e qual impacto podem produzir.


Toda empresa precisa avaliar riscos psicossociais?

De forma geral, as organizações precisam realizar ações de prevenção considerando os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do contexto do GRO e da gestão ergonômica.

O material de perguntas e respostas publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2026 reforça que todas as empresas estão obrigadas a realizar ações de prevenção por meio da Avaliação Ergonômica Preliminar, considerando também esses fatores.

Isso não significa que todas as empresas precisarão utilizar exatamente o mesmo método.

Uma organização pequena, com poucos trabalhadores e processos simples, não terá necessariamente o mesmo nível de complexidade de uma empresa com centenas de colaboradores, diferentes unidades, turnos, lideranças e funções.

A avaliação precisa fazer sentido para a realidade da organização.


Como avaliar riscos psicossociais na prática?

Não existe uma única ferramenta capaz de responder, sozinha, por toda a avaliação.

Um processo consistente costuma envolver diferentes fontes de informação e diferentes etapas.

1. Compreender a organização do trabalho

Antes de aplicar qualquer instrumento, é necessário compreender como o trabalho acontece.

Isso inclui analisar funções, demandas, metas, jornada, divisão de tarefas, nível de autonomia, comunicação, suporte das lideranças e relações entre equipes.

2. Escutar os trabalhadores

A participação dos trabalhadores é um componente importante do gerenciamento dos riscos.

Essa escuta pode ocorrer por diferentes meios, como entrevistas, grupos, questionários, espaços estruturados de escuta ou outros procedimentos compatíveis com a realidade da empresa.

A Fundacentro também destaca a importância da participação ativa dos trabalhadores e do olhar para as condições, organização e gestão do trabalho, evitando explicações que individualizem excessivamente o adoecimento.

3. Identificar os fatores de risco

A partir das informações levantadas, é possível identificar quais fatores aparecem com maior frequência e quais situações apresentam maior potencial de impacto.

4. Avaliar e priorizar os riscos

Nem todo problema terá a mesma gravidade ou exigirá a mesma intervenção.

A empresa precisa considerar frequência, intensidade, quantidade de trabalhadores expostos e possíveis consequências.

5. Definir medidas de prevenção

Depois de identificar os riscos, o processo precisa avançar para a ação.

As medidas podem envolver mudanças na organização do trabalho, revisão de processos, capacitação de lideranças, melhoria da comunicação, definição mais clara de papéis, criação de canais de apoio ou outras intervenções adequadas ao problema identificado.

6. Monitorar os resultados

Gerenciar riscos não é realizar uma única avaliação e arquivá-la.

É necessário acompanhar se as medidas implementadas produziram resultado e revisar o processo quando necessário.


Avaliar riscos psicossociais não é fazer diagnóstico psicológico dos funcionários

Essa diferença é fundamental.

A avaliação dos fatores de risco psicossociais tem como foco o trabalho e suas condições.

Uma avaliação psicológica ou um diagnóstico clínico, por outro lado, tem como foco o indivíduo, sua história, seus sintomas e seu funcionamento.

São processos diferentes, com finalidades diferentes.

Quando uma empresa investiga, por exemplo, sobrecarga, conflito de papéis, falhas de comunicação, assédio ou falta de apoio, ela está buscando compreender elementos do contexto ocupacional.

Isso não significa diagnosticar ansiedade, depressão, burnout ou qualquer outro transtorno em cada trabalhador.

Misturar essas duas coisas pode gerar interpretações inadequadas, problemas éticos e pouca efetividade na prevenção.


Qual é a relação entre riscos psicossociais, GRO e PGR?

O GRO é o processo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

O PGR, por sua vez, é o programa que materializa parte desse gerenciamento por meio de documentos como o inventário de riscos e o plano de ação.

No caso dos fatores psicossociais, a gestão precisa considerar as disposições da NR-1 em conjunto com a NR-17. O próprio manual do Ministério do Trabalho e Emprego apresenta essa integração: a NR-1 estabelece o processo de gerenciamento, enquanto a NR-17 oferece métodos e requisitos específicos relacionados à ergonomia, incluindo a Avaliação Ergonômica Preliminar e, quando necessária, a Análise Ergonômica do Trabalho.

O objetivo não deve ser apenas “ter um documento”.

O foco precisa estar na identificação dos riscos, nas medidas de prevenção e no acompanhamento do que foi implementado.


Quem pode participar da avaliação dos riscos psicossociais?

A avaliação pode envolver diferentes profissionais, dependendo da estrutura e das necessidades da organização.

Em muitos contextos, a atuação é multidisciplinar.

Profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho, ergonomia, medicina, psicologia, recursos humanos e gestão podem contribuir em diferentes etapas.

A Psicologia pode ter participação importante especialmente na compreensão de relações de trabalho, comunicação, liderança, conflitos, dinâmica de equipes, percepção de suporte, sobrecarga e outros elementos psicossociais.

Isso não significa que a atuação psicológica substitua as responsabilidades técnicas de outras áreas.

O trabalho tende a ser mais consistente quando diferentes competências são integradas.


O que a empresa deve fazer depois de identificar os riscos?

A identificação do risco é apenas uma etapa.

Quando um problema é reconhecido, a organização precisa decidir o que pode ser modificado.

Isso pode incluir revisão de processos, ajustes na distribuição de tarefas, melhoria da comunicação, treinamento de lideranças, criação de fluxos de apoio, revisão de metas, organização de jornadas ou desenvolvimento de programas estruturados de saúde mental.

A intervenção mais adequada dependerá do problema identificado.

Se a dificuldade está na comunicação entre liderança e equipe, por exemplo, uma ação educativa pode ser útil.

Se existe sobrecarga estrutural e falta de pessoal, uma palestra sobre gestão do estresse dificilmente resolverá o problema.

É justamente por isso que o diagnóstico organizacional precisa anteceder muitas decisões.


Uma palestra sobre saúde mental resolve a NR-1?

Isoladamente, não.

Palestras podem ser muito úteis como parte de uma estratégia de prevenção, educação e desenvolvimento organizacional.

Elas podem ajudar a sensibilizar lideranças, melhorar a compreensão sobre saúde mental, trabalhar comunicação, prevenir assédio ou discutir temas específicos.

Mas uma palestra não substitui a identificação dos fatores de risco, sua avaliação, a definição de medidas de prevenção e o acompanhamento dos resultados.

O mesmo vale para uma pesquisa aplicada uma única vez.

Uma organização pode utilizar questionários e outras ferramentas, mas o instrumento precisa fazer parte de um processo mais amplo de gerenciamento.


Quando buscar apoio especializado?

Alguns sinais mostram que pode ser importante aprofundar a análise da organização, como:

  • conflitos recorrentes entre equipes ou lideranças;

  • queixas frequentes de sobrecarga;

  • aumento de afastamentos;

  • alta rotatividade;

  • dificuldades de comunicação;

  • denúncias de assédio;

  • equipes com queda persistente de desempenho;

  • mudanças organizacionais importantes;

  • necessidade de estruturar ações preventivas relacionadas à NR-1.

O apoio técnico pode ajudar a organizar informações, identificar prioridades e construir intervenções mais adequadas à realidade da empresa.


Saúde mental no trabalho exige mais do que ações pontuais

A atualização da NR-1 trouxe maior visibilidade para um tema que já fazia parte da realidade das organizações: a forma como o trabalho é estruturado pode proteger ou prejudicar a saúde das pessoas.

Por isso, o gerenciamento de fatores de risco psicossociais não deve ser tratado apenas como uma exigência documental.

Quando bem conduzido, o processo pode ajudar a empresa a compreender melhor seus próprios desafios, reduzir riscos e construir ambientes de trabalho mais sustentáveis.

Na Clínica Modal, as ações em saúde mental para empresas podem envolver diagnóstico organizacional, escuta estruturada, apoio às lideranças, palestras e construção de programas personalizados de acordo com as necessidades da organização.


Sua empresa precisa estruturar ações relacionadas à saúde mental e aos riscos psicossociais? Conheça as soluções corporativas da Clínica Modal.



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